Laika – entrevista

Jovem não tem superego algum, não é mesmo? Na empolgação de escrever um fanzine, resolvi entrevistar uma das bandas que eu mais ouvia no momento. Entrei em contato com a vocalista, por e-mail, e ela foi muito simpática comigo. Segue a entrevista na íntegra. Hoje já entro em contato com assessoria de imprensa, demoro anos pra criar coragem de falar com o cara, morro de medo de fazer tudo errado. Quando era jovem, não. O resultado você vê aí embaixo.

 (entrevista publicada na primeira edição do Conga Conga Conga Zine)

Conga Conga Conga não nega que é cool. Em entrevista exclusiva por e-mail, falei com a Margaret Fiedler, do Laika, que foi supersimpática e ainda mandou foto da banda (a foto que ilustra essa entrevista). Espero que vocês gostem tanto quanto eu!


– Margaret Fiedler cresceu em Chicago e se musou para Nova York aos 12 anos. Por alguns anos, esteve numa banda pós-punk com Moby e aos 21, mudou-se para Londres, onde formou sua primeira banda oficial, Moonshake.

– Guy Fixsen cresceu em Bath, UK, esteve em várias bandas locais, então mudou-se para Londres para trabalhar num estúdio quando tinha 20 anos. Seu trabalho ia desde fazer chá (interminavelmente) até engenharia de som e finalmente produção de discos para gente como My Bloody Valentine, The Breeders, Throwing Muses e outros.


Margaret Fiedler– Foi assim que nos conhecemos. O Moonshake foi ao Protocol Studios em North London em fevereiro de 91 para gravar o primeiro disco, e lá estava Guy, o engenheiro de som. A colaboração funcionou bem e nós trabalhamos juntos em quase todas as gravações do Moonshake e alguns shows ao vivo até o verão de 93, quando Margaret foi expulsa da banda (!) e, com o baixista do moonshake John Frenett, nós três formamos o Laika e começamos a trabalhar num LP de estréia para a Too Pure records. Lou Cicotelli, que tocou na God e na Ice, nos ligou e se ofereceu para tocar bateria com a gente. Isso juntou o núcleo da banda, que gravou o primeiro LP ‘Silver Apples of the Moon’.
Uma amiga de John, Louise Elliot, ainda colocou sua flauta de Jazz na gravação.
O primeiro lançamento foi em junho de 94, ‘Antenna EP’ e o primeiro LP veio em outubro. Então fizemos uma turnê pela Europa e América do Norte, algumas vezes sozinhos e algumas tocando com bandas maiores – Tricky, MC 900ft Jesus, The Young Gods, Stereolab, etc. Passamos 1995 quase inteiro assim! A primeira metade de 96 foi passada escrevendo nosso segundo LP ‘Sounds of Sattelites’, que foi lançado em fevereiro de 97 na Europa e outubro de 97 pela nossa gravadora lá, a Sire. 1997 foi outro ano de turnê – fomos mais pra dentro da Europa- Espanha, Itália e a República Tcheca e tocamos em um monte de festivais de verão pela primeira vez. Então Thom Yorke do Radiohead disse que era nosso fã e pediu pra gente abrir pra eles em sua turnê no Reino Unido em setembro de 97. Passamos todo o ano com um EP de remixes do LP e uma turnê de seis semanas pela América do Norte. Agora estamos trabalhando duro no terceiro LP…

CCC- Como vocês descreveriam sua música para quem nunca ouviu?

MF- As pessoas tendem a colocar nossa música em uma das duas categorias- ‘Pós Rock’, junto com o Tortoise, e ‘Trip Hop’, com Tricy e Portishead. No entanto, diferente da maioria de bandas ‘pós rock’, nós damos uma grande importância aos vocais, nossas músicas tendem a ser ‘canções’ com estrutura e melodia, embora a gente não use muitas variações de acordes. Diferente de muitas bandas de trip hop, nós sabemos tocar ao vivo e não somos ‘escravos da máquina’, usamos um monte de instrumentos ao vivo e sons orgânicos com loops e sons ‘achados’.

 CCC- No encarte do cd diz que vocês gravaram tudo em casa… COMO vocês conseguiram isso, com que equipamento, etc?

MF- Começamos tudo com um pequeno sampler e um seqüenciador e aos poucos fomos colocando instrumentos enquanto podíamos. Agora temos um mixer tamenho médio, um gravador de 8 pistas pra Macintoch, um gravador de DAT e vários brinquedinhos – um Minimoog, uma Fender Rhodes, guitarras Fender Jazzmaster e amplificadores Vox AC30, baixo Fender telecaster, etc. Gravamos os vocais no banheiro. Gravar em casa tem muitas vantagens – sai mais barato e você tem mais tempo e menos pressão. Também quando gravamos o esqueleto da música, ele pode ser capturado decentemente para ser incluído no disco, então nada da empolgação inicial da composição é perdida no fim do dia.

CCC- Como você vê essa invasão da música eletrônica da Europa para o mundo?

MF – Nós não somos muito fãs de techno ou congêneres, sério. A Inglaterra sempre teve tradição de fazer boa música pop, e ‘club music’. Londres tem uma boa mistura de culturas e isso se mostra na música. Drum’n’bass e trip hop são as variante mais legais do techno, mas mesmo assim, eles perderam muito da vitalidade que tinham há cinco anos atrás.

CCC- Qual é o ‘público’ do Laika?

MF – Todo tipo de gente pode ouvir Laika, tanto clubbers quanto fãs de rock. Nós pegamos mais ou menos a melhor parte desses dois mundos – podemos fazer sons hipnóticos e incomuns, mas podemos também tocá- los bem ao vivo, sem usar playback ou sequenciadores, o que torna os shows chatos. Provavelmente é porque gostamos de vários tipos de música e isso aparece em nossos discos. É engraçado como, se você perguntar a vários músicos, eles têm grandes influências mas a música que eles fazem é bem unidimensional. Nós tentamos captar nossas influências e fazer música com mais profundidade, sem simplesmente copiar. É importante apenas pegar o ‘espírito’ dos seus heróis, não as notas, se é que você me entende.

CCC- Vamos pôr tudo na mesma pergunta: influências? Bandas que vocês recomendam?

MF- Captain Beefheart and the Magic Band, Miles Davis dos anos 70, Can, Kraftwerk, MC 900ft Jesus, Tricky, PiL, Gand of Four, The Slits, The Pop Group, My Bloody Valentine.

CCC- Agora que o Laika foi lançado no Brasil, quais são as possibilidades de vocês tocarem aqui?

MF- Adoraríamos tocar no Brasil. Esperamos que nossa gravadora aí, a Natasha, acredite na gente a ponto de gastar dinheiro pra nos levar aí!!!

Cheers!

 Discografia:

 Laika “44 Robbers” (4.14)

        track on Too Pure compilation “Pop – Do we not like that?”
Cat. no. PURE34/PURECD34 – released Feb 1994

 Laika “Antenna ep”

        Cat. no. PURE38/PURECD38 – released June 1994

 Laika “44 Robbers/Coming Down Glass” Double A-side single

        Cat. no. PURECDL42 – released October 1994 (750 copies)

 Laika “Silver Apples of the Moon” LP

        Cat. no. PURE42/PURECD42 – released October 1994

 Laika “Breather” single

        Cat. no. PURECD67/PURE67 – released January 1997

 Laika “Sounds of the Satellites” LP

        Cat. no. PURE62/PURECD62 – released February 1997

 Laika “Almost Sleeping” single

        Cat. no. PURE71CDS/PURE71RT – released September 1997

 (e mais algumas faixas de coletâneas…)

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